Egressa construiu uma trajetória marcada pela curiosidade sobre o ser humano, pela prática clínica e pelo compromisso de transformar conhecimento em acolhimento, diagnóstico e orientação.

Desde o ensino médio, Nattália Silveira carregava uma inquietação que, mais tarde, se tornaria caminho profissional: compreender o ser humano. Queria entender por que pensamos como pensamos, por que agimos de determinadas formas e como certos padrões de comportamento se formam ao longo da vida. Foi na Católica SC, durante a graduação em Psicologia, que essa curiosidade ganhou nome, método e direção.

Ao longo da graduação, Nattália passou por experiências que ampliaram seu olhar: a Psicologia Educacional no estágio obrigatório, o trabalho com crianças do espectro autista dentro da terapia ABA, a monitoria em avaliação psicológica e o início da prática clínica. Mesmo sem um caminho totalmente linear, cada etapa teve seu papel na construção da profissional que ela se tornaria.

A Psicologia, desde o início, apresentou-se como o caminho mais consistente para chegar à Neuropsicologia, área que hoje é o foco principal de sua atuação, junto com a psicoterapia. Disciplinas como psicopatologia, neurociências e avaliação psicológica foram decisivas nesse processo, pois ajudaram a estruturar aquilo que antes era uma percepção intuitiva sobre as pessoas.

“Conceitos psicológicos começaram a nomear aquilo que antes era apenas uma percepção. Foi nesse momento que a escolha deixou de ser apenas interesse e passou a ser um projeto profissional estruturado”, afirma.

Uma formação construída na prática e na escuta

Na Católica SC, a formação de Nattália foi marcada pela proximidade com professores, pelas vivências práticas e pelo contato direto com diferentes áreas da Psicologia. O estágio clínico, em especial, ocupa um lugar importante nessa trajetória. Foi ali que a escuta ganhou outra dimensão e que o conhecimento estudado em sala passou a encontrar rostos, histórias e experiências concretas.

“Foi ali que o ser humano deixou de ser um conceito e passou a ser alguém real, sentado à minha frente, com uma história que eu precisava aprender a escutar e compreender de verdade”, conta.

A experiência transformou sua forma de compreender o processo terapêutico. Nattália percebeu que não existe um único caminho para todos, mas trajetórias singulares, construídas no tempo de cada pessoa. Também entendeu que o papel do psicólogo envolve acompanhar com cuidado, responsabilidade e atenção ao que nem sempre é dito, mas aparece de outras formas.

A proximidade com o corpo docente também teve papel importante em sua formação. Professores como Gabriel Rosa, Luiz Bizzo, Nathalia Piacentini, André Thieme e Joice Pacheco marcaram sua trajetória pela didática, pela forma de ensinar e pelo compromisso com a construção de novos profissionais. “Cada um, do seu jeito, acabou contribuindo não só para o meu conhecimento técnico, mas também para a forma como eu penso hoje enquanto profissional”, destaca.

Esse contato direto com docentes e profissionais engajados despertou em Nattália também o interesse pelo ensino. Hoje, além da atuação clínica, ela planeja ingressar no mestrado e inicia sua trajetória com supervisão clínica em avaliação neuropsicológica. Para ela, a Católica SC contribuiu não apenas para a formação técnica, mas também para ampliar seu projeto de carreira, integrando clínica, ensino e formação profissional.

Quando o conhecimento ajuda a nomear histórias

Após concluir a graduação em Psicologia pela Católica SC, Nattália seguiu aprofundando sua formação. Especializou-se em Neuropsicologia pelo Hospital Israelita Albert Einstein e também cursa pós-graduação em Terapia Cognitivo-Comportamental. Atualmente, atua como psicóloga e neuropsicóloga em Joinville, realizando avaliações neuropsicológicas, atendimentos clínicos e supervisões.

Seu trabalho envolve o atendimento de adolescentes, adultos e idosos, com foco na investigação de questões como TDAH, TEA, altas habilidades/superdotação, declínio cognitivo, demências e outras condições neuropsiquiátricas. É uma atuação que exige rigor técnico, raciocínio clínico, ética e comunicação clara com pacientes, familiares e equipes de saúde.

No início da carreira, um dos maiores desafios foi lidar com a responsabilidade técnica da avaliação neuropsicológica. Elaborar laudos e sustentar decisões clínicas significa produzir documentos que podem impactar diretamente a vida de pacientes e famílias.

“Sair da graduação e começar a sustentar decisões clínicas, organizar raciocínio diagnóstico e elaborar laudos com impacto real na vida de pacientes e famílias trouxe, naturalmente, insegurança”, compartilha.

Com o tempo, essa insegurança foi sendo transformada em responsabilidade consciente, por meio de estudo, supervisão e prática. Para Nattália, segurança profissional não significa ter todas as respostas, mas saber conduzir cada caso com critério e ética.

Hoje, uma de suas conquistas mais significativas é perceber que consegue sustentar um raciocínio clínico mais consistente e produzir avaliações que realmente contribuem para a compreensão do paciente. O sentido mais profundo do trabalho está justamente nisso: ajudar pessoas e famílias a entenderem aquilo que, muitas vezes, sempre foi sentido, mas nunca havia sido nomeado.

“O sentido do meu trabalho está na possibilidade de ajudar o paciente e a família a entenderem o que, muitas vezes, sempre foi sentido, mas nunca nomeado”, explica.

Na avaliação neuropsicológica, Nattália acredita que não se trata apenas de aplicar testes ou descrever resultados. Trata-se de organizar informações, dar significado aos sinais e construir uma compreensão que faça sentido na vida daquela pessoa. Quando alguém passa a entender melhor suas dificuldades, seus padrões ou sua forma particular de aprender e funcionar, muda também a maneira como se posiciona diante de si mesmo e do mundo.

Essa visão traduz uma trajetória que une ciência e humanidade, técnica e escuta, diagnóstico e cuidado. Também revela a força de uma formação que permanece viva na prática profissional e no compromisso de contribuir com a vida das pessoas.

Aos estudantes de Psicologia da Católica SC que estão iniciando essa caminhada, Nattália deixa uma mensagem que nasce da própria experiência: aproveitar as vivências práticas, os estágios, a monitoria, o contato com diferentes áreas e a proximidade com os professores.

“Aproveitem as experiências práticas: estágio, monitoria, contato com diferentes áreas. É ali que muita coisa começa a fazer sentido. E quando encontrarem uma área que faça sentido, aprofundem. Isso faz toda a diferença lá na frente”, aconselha.

Foi assim que sua própria trajetória se construiu: passo a passo, experiência por experiência, até que tudo começasse a se conectar. Da curiosidade inicial sobre o comportamento humano à atuação em Neuropsicologia, Nattália encontrou na Católica SC um ponto de partida para transformar interesse em profissão, conhecimento em cuidado e formação em propósito.