Egressa coordena a área de Segurança Alimentar e Nutricional da Secretaria de Assistência Social de Joinville e atua na consolidação de estratégias que garantem o direito à alimentação adequada no município.
Para Patrícia Girardi, a Nutrição é uma área que articula cuidado, responsabilidade técnica e compromisso social. Sua atuação está fundamentada na convicção de que a alimentação adequada deve ser garantida como direito.
Hoje, ela atua na gestão pública e coordena a área de Segurança Alimentar e Nutricional da Secretaria de Assistência Social de Joinville, responsável pela gestão da política no município. Na prática, lidera processos técnicos, estratégicos e intersetoriais para garantir que o Direito Humano à Alimentação Adequada se concretize no município.
Coordena a articulação e o monitoramento de equipamentos como os Restaurantes Populares e o Banco de Alimentos, conduz programas como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), gerencia equipe técnica e acompanha a execução das estratégias definidas para a área. Também integra espaços de governança, como a secretaria executiva da CAISAN e a participação em conselhos relacionados à segurança alimentar e ao desenvolvimento rural, além de atuar na implementação do SISAN no território e na construção do Plano Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional, instrumento que organiza metas, prioridades e responsabilidades da política no município.
“Minha missão profissional é fortalecer políticas públicas com planejamento, responsabilidade e visão sistêmica”, define. Essa clareza, no entanto, não nasceu pronta: foi sendo construída ao longo da formação e, principalmente, quando a teoria encontrou a realidade.
Embora o cuidado e a saúde sempre tenham encantado Patrícia, o momento decisivo veio durante um estágio extracurricular no Programa Mesa Brasil Sesc. Ali, ela percebeu, na prática, que alimentação ultrapassa o âmbito individual e envolve desigualdade, sustentabilidade, acesso e políticas públicas. A Nutrição ganhava outra dimensão: a das coletividades, do impacto social e das escolhas que transformam comunidades inteiras.
“O ponto de virada foi entender que eu poderia atuar junto às coletividades, ampliando o debate e fortalecendo políticas estruturantes capazes de gerar efeitos reais nos territórios”, conta.
Essa vivência foi marcada por encontros com diferentes realidades: instituições sociais, comunidades, profissionais de logística e produção, além de ações educativas com públicos diversos. Em meio a tantas experiências, uma delas se tornou símbolo do sentido de sua profissão.
O dia em que um mamão virou metáfora de transformação
Em uma entrega de alimentos em aldeias indígenas da região, Patrícia lembra de crianças que se aproximaram e perguntaram se poderiam pegar mamões ainda verdes. Ao receberem a fruta, elas se afastaram e começaram a comer com alegria, uma alegria que, para ela, tinha a intensidade de quem recebe algo raro.
Percebeu como algo simples pode assumir grande significado em contextos de vulnerabilidade. Para ela, aquele momento reforçou a importância de estruturar políticas que garantam acesso contínuo e não apenas ações pontuais, evidenciando como decisões técnicas e articulações institucionais impactam diretamente a vida das pessoas.
Católica SC: formação que deixou valores
Dez anos após concluir a graduação, Patrícia revisita a experiência acadêmica com gratidão e senso de pertencimento. Para ela, a Católica SC foi decisiva na construção de uma atuação profissional orientada pela ética, responsabilidade e pensamento crítico.
“Foi uma experiência muito positiva, especialmente pelo aprofundamento dos conteúdos e pelo desenvolvimento da análise crítica”, relembra. Ao comparar com colegas de outras instituições, ela percebeu o quanto a formação exigia reflexão, compreensão de processos e maturidade profissional, competências que hoje fazem diferença na gestão pública.
Mais do que conteúdo, Patrícia destaca o valor de se envolver, experimentar e aproveitar a vida universitária como tempo fértil para descobrir caminhos e construir rede de relacionamentos.
“Se eu pudesse voltar, eu diria para mim mesma: se envolve ainda mais. Participa dos projetos possíveis, experimenta, descobre o que gosta e já constrói networking. A gente cruza novamente com pessoas ao longo da vida, e a forma como atuamos, com ética e responsabilidade, deixa marca”, afirma.
Entre os momentos mais significativos de sua trajetória recente está a inauguração do Banco de Alimentos Municipal de Joinville, operacionalizado em 2025 por meio de uma parceria entre Prefeitura e o Sesc Mesa Brasil. O equipamento, construído há mais de 15 anos, aguardava a superação de entraves para finalmente se tornar realidade.
Para Patrícia, esse marco simboliza o que políticas públicas bem articuladas podem produzir: estrutura, continuidade e alcance. É o tipo de conquista que não aparece de um dia para o outro, mas que muda o cenário de um território quando sai do papel.
Uma protagonista que inspira pelo propósito
Ao contar sua história, Patrícia mostra que trajetória profissional não se resume a cargos ou funções. É construída por escolhas e valores: a coragem de olhar para realidades complexas, a disposição de trabalhar em rede e a convicção de que alimentação adequada é parte do que torna uma sociedade mais justa.
E talvez esse seja o coração de sua mensagem para quem está começando: a formação universitária não é apenas o caminho para uma profissão, é o espaço onde também se forma a pessoa que vai exercer essa profissão no mundo.
