Em 2026, o Programa de Pesquisa (PROPES) da Católica SC completa 30 anos de incentivo à iniciação científica. Conheça algumas histórias dessa trajetória e descubra por que a pesquisa científica é tão importante para a inovação.

Realizado anualmente nos campi de Jaraguá do Sul e Joinville, o Congresso Internacional de Iniciação Científica e Extensão da Católica SC teve, em 2026, atividades nos dias 16 e 17 de setembro, em Jaraguá do Sul, e em 30 de setembro e 1º de outubro, em Joinville. Entre os trabalhos apresentados estavam estudos sobre o uso de elementos de jogos na aprendizagem híbrida e sobre os atendimentos e a renovação da identidade visual do Núcleo de Apoio Contábil e Fiscal (NAF).

Os temas ajudam a ampliar o olhar sobre a inovação. Ela pode envolver uma nova tecnologia, mas também melhorias na maneira de ensinar, produzir, prestar serviços ou responder a necessidades sociais.

Conheça outros projetos da Católica SC e os caminhos para participar dessas experiências. Afinal, entre perceber um problema e desenvolver uma solução, há perguntas que precisam ser investigadas.

O que transforma uma boa ideia em inovação?

Imagine alguém propondo uma prótese de mão de baixo custo. A ideia é promissora, mas surgem questões importantes: o material será resistente? O mecanismo funcionará? O dispositivo poderá ser utilizado com segurança e conforto?

É nesse momento que a pesquisa se torna decisiva.

Ela permite examinar o que já se sabe sobre determinado assunto, formular hipóteses, escolher métodos e produzir evidências para avaliar uma proposta. Dependendo do problema, isso pode envolver estudos teóricos, experimentos, observações ou testes com protótipos.

Para desenvolver uma inovação, uma ideia precisa se tornar uma solução viável, capaz de gerar valor, solucionar problemas reais e produzir resultados concretos. Pesquisa, experimentação e validação ajudam a preparar sua aplicação prática.

A academia produz conhecimento e o conecta às demandas da sociedade e do setor produtivo, aproximando ciência e mercado.

Competências técnicas, infraestrutura de pesquisa e metodologias ajudam a reduzir incertezas e a desenvolver novas soluções. Essa atuação contribui para a inovação, a competitividade empresarial e o desenvolvimento regional.

O Manual de Oslo, publicado pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), adota um critério para a inovação empresarial: uma novidade ou melhoria precisa ter sido colocada em uso ou disponibilizada a seus possíveis usuários. O documento é uma referência internacional para compreender e mensurar processos de inovação.

A pesquisa científica tem um campo de atuação mais amplo. Nem toda investigação resulta imediatamente em um produto ou serviço. Algumas permitem compreender fenômenos, questionar explicações existentes ou identificar limitações que precisarão ser estudadas no futuro.

Há descobertas que só se tornam possíveis porque outros pesquisadores, muito antes, produziram conhecimentos que serviram de base para novas investigações.

A ciência também avança quando uma hipótese precisa ser revista ou um experimento apresenta resultados diferentes dos esperados. Saber o que ainda não funciona pode ser tão necessário quanto descobrir uma solução promissora.

Dez modelos para desenvolver uma prótese de mão

Na Católica SC, essa relação entre conhecimento e experimentação apareceu em um projeto de Engenharia Mecânica desenvolvido em Joinville.

Em 2024, os estudantes Vitor Giesel Carneiro Lins e Caio Herison Padilha, orientados pelo professor Valdeon Sozo, desenvolveram uma prótese de mão utilizando impressão 3D. O objetivo era criar um dispositivo funcional e de baixo custo para pessoas com deficiência nas mãos.

Até chegar ao modelo apresentado, a equipe produziu dez versões diferentes, avaliando resistência, ergonomia, impressão e funcionamento das peças.

Os estudantes precisaram aprender técnicas de modelagem e impressão 3D durante o desenvolvimento. Eles também enfrentaram falhas de materiais e dificuldades para encontrar configurações adequadas ao mecanismo.

O resultado foi um protótipo com custo estimado de produção de R$ 70, acionado pelo movimento do punho. Durante um teste, uma voluntária conseguiu realizar movimentos básicos, como segurar um copo.

O teste marcou uma etapa do desenvolvimento, mas ainda havia trabalho pela frente. Ampliar os testes e buscar parcerias para aprimorar o dispositivo estavam entre os próximos objetivos dos estudantes.

A pesquisa científica começa muito antes do laboratório

Inovar não começa necessariamente com uma tecnologia, mas com a capacidade de fazer as perguntas certas, investigar possibilidades e transformar conhecimento em impacto real. 

Quando pensamos em pesquisa, é comum imaginar equipamentos sofisticados, experimentos e pessoas trabalhando em laboratórios. Essas atividades fazem parte da ciência, mas existem diferentes maneiras de investigar um problema.

Uma delas é estudar sistematicamente o conhecimento já produzido. Foi o caminho escolhido por Renan Henrique Machado, egresso da pós-graduação em Estética e Saúde da Católica SC e atualmente estudantes de Biomedicina,  que decidiu investigar o potencial da própolis no cuidado de peles acneicas.

Com orientação da professora doutora Daiani Savi, Renan desenvolveu uma revisão narrativa da literatura, reunindo e analisando pesquisas sobre as propriedades da substância. O trabalho conquistou o segundo lugar na categoria de trabalhos científicos do Congresso Brasileiro de Harmonização Orofacial (CONGREHOF 2026).

A investigação também abriu novas perguntas. Em setembro de 2026, a continuidade prevista incluía estudos experimentais com própolis produzida no norte de Santa Catarina, no Multilab OneHealth da Católica SC. A proposta era aprofundar o conhecimento sobre suas atividades antioxidante e antimicrobiana, especialmente em relação a microrganismos associados à acne. 

Uma eventual aplicação clínica depende de etapas adicionais de pesquisa. Os resultados de uma revisão da literatura, por si só, não demonstram que um produto seja seguro e eficaz para determinado tratamento. 

Por que aprender a pesquisar faz diferença na formação?

A iniciação científica permite que estudantes participem da produção de conhecimento durante a graduação, acompanhados por pesquisadores experientes.

Entre os objetivos do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC), do CNPq, está contribuir para a formação científica de estudantes que atuarão nas mais diversas profissões.

Aprender a pesquisar vai além da produção de trabalhos acadêmicos. Envolve questionar, investigar, formular perguntas relevantes, selecionar e analisar informações confiáveis, interpretar resultados e usar evidências para construir soluções e justificar conclusões.

Essas habilidades são úteis em diferentes campos profissionais. Um engenheiro precisa avaliar a viabilidade de uma solução. Um educador pode investigar os resultados de determinada metodologia de ensino. Profissionais da saúde precisam compreender as evidências que sustentam procedimentos e condutas.

Em todos esses casos, o conhecimento científico oferece recursos para tomar decisões mais fundamentadas e reconhecer os limites do que se sabe.

A pesquisa científica estimula o pensamento crítico, a criatividade, a autonomia intelectual e a resolução de problemas complexos, competências cada vez mais valorizadas no mundo do trabalho. Ao pesquisar durante a formação, o estudante participa ativamente da construção do conhecimento, somando essa experiência ao estudo do que já foi produzido.

Na Católica SC, essa experiência é incentivada desde 1996 por meio da iniciação científica e dos grupos de pesquisa da instituição.

O Programa de Pesquisa (PROPES) organiza essas atividades e prevê a participação de estudantes de graduação como bolsistas ou voluntários, sempre com orientação docente. Entre seus objetivos estão o desenvolvimento de pesquisas, o incentivo à inovação tecnológica e a realização de projetos em parceria com organizações.

O Centro Universitário Católica de Santa Catarina consolida sua atuação em pesquisa, desenvolvimento e inovação por meio de 11 grupos de pesquisa, distribuídos entre os campi de Joinville e Jaraguá do Sul.

As competências científicas e tecnológicas estão organizadas em seis eixos estratégicos: Tecnologia e Transformação Digital; Engenharia, Indústria e Sustentabilidade; Saúde, Biotecnologia e Qualidade de Vida; Gestão, Negócios e Inovação; Direito, Sociedade e Desenvolvimento; e Educação, Comunicação e Tecnologias.

Essa estrutura multidisciplinar fortalece a integração entre ensino, pesquisa e setor produtivo, ampliando as oportunidades de cooperação com empresas, instituições públicas e agentes de fomento.

Com essa estrutura, a Católica SC busca fortalecer a pesquisa aplicada, ampliar a captação de recursos, desenvolver soluções inovadoras e promover a transferência de conhecimento e tecnologia, contribuindo para a inovação e o desenvolvimento regional.

Inovar também envolve compreender as necessidades das pessoas

Algumas perguntas surgem durante os experimentos. Outras aparecem em contato direto com a comunidade. É o que acontece em projetos de extensão universitária, nos quais estudantes utilizam conhecimentos de sua formação em atividades relacionadas às necessidades da sociedade.

O Núcleo de Apoio Contábil e Fiscal (NAF) da Católica SC é um exemplo dessa aproximação. Mantido em parceria com a Receita Federal, o núcleo oferece orientações gratuitas sobre Imposto de Renda, situação fiscal e informações cadastrais, entre outros serviços. Os atendimentos são realizados por estudantes, sob supervisão de professores, nos campi de Joinville e Jaraguá do Sul.

Ao mesmo tempo que aprendem com situações da prática profissional, os acadêmicos participam de um serviço que facilita o acesso da comunidade à orientação fiscal. 

O trabalho apresentado no congresso de 2026 abordou os atendimentos e a renovação da identidade visual do núcleo. O tema chama atenção para uma questão que também pode ser investigada: de que maneira a organização e a comunicação das informações influenciam a experiência de quem procura o serviço?

Na Católica SC, o Projeto Comunitário foi implantado em 2010. A partir das matrizes curriculares de 2023, os Projetos de Aprendizagem Colaborativa Extensionista passaram a integrar a formação dos estudantes, articulando conhecimentos dos cursos com atividades realizadas junto à sociedade.

Pesquisa e extensão têm objetivos e métodos próprios, mas podem dialogar. Uma experiência com a comunidade pode revelar questões que merecem investigação científica. Da mesma forma, conhecimentos produzidos pela pesquisa podem orientar propostas de intervenção social.

O congresso faz parte do desenvolvimento da pesquisa

Na Católica de Santa Catarina, a pesquisa aproxima teoria e prática e estimula a participação ativa dos estudantes na produção de conhecimento e na inovação.

O Congresso de Iniciação Científica e Extensão reúne estudantes e professores para apresentar pesquisas, discutir resultados e conhecer trabalhos de diferentes áreas. O encontro valoriza e compartilha o conhecimento, promovendo a troca de experiências, a interdisciplinaridade e o surgimento de novas ideias.

Ao fortalecer a cultura científica, o Congresso incentiva estudantes a transformarem suas descobertas em soluções para desafios reais, com impacto na sociedade.

O balanço institucional de 2025 registrou mais de 100 projetos submetidos ao XXV Congresso e mais de 1.800 acadêmicos como ouvintes de palestras e apresentações nos dois municípios. A edição também marcou a primeira participação internacional, com cinco trabalhos da Notre Dame of Dadiangas University, das Filipinas.

Na edição de 2026, o XXVI Congresso Internacional de Iniciação Científica e Extensão da Católica SC premiou trabalhos de diferentes áreas do conhecimento. Entre os destaques, dois projetos conquistaram o primeiro lugar em suas respectivas categorias.

Na categoria de projetos de pesquisa e TCC, foram premiadas Giovana Marangoni Radigonda e Maria Luiza Schneider, estudantes de Engenharia Civil.

O estudo “Análise da aplicação de lajes pré-moldadas em sistema off-site: estudo de caso” foi orientado pela professora Maria Rosane Vilpert Vitali. O trabalho analisou a aplicação de lajes pré-moldadas em um sistema construtivo que utiliza componentes produzidos fora do canteiro de obras.

Já na categoria de projetos de aprendizagem colaborativa e extensão, o primeiro lugar ficou com “Ressocialização da pessoa pós-mundo penitenciário e a dignidade social”.

O trabalho foi desenvolvido pelos estudantes de Direito Antonio Adailton Silva Pereira, Ingrid Coelho e Ana Beatriz Souza Weigert, sob orientação do professor Jeison Giovani Heiler. O estudo abordou a reintegração social de pessoas após a experiência no sistema prisional e sua relação com a dignidade humana.

Nas apresentações, os participantes precisam tornar compreensíveis o problema investigado, os métodos utilizados e os resultados. Compartilhar esse conhecimento permite que outras pessoas conheçam o trabalho, examinem suas conclusões e encontrem questões para novos estudos.

Essa circulação é importante para a continuidade da ciência. A Recomendação sobre Ciência Aberta da UNESCO, aprovada em 2021, reconhece a importância de tornar o conhecimento científico mais acessível e de ampliar a colaboração entre pesquisadores e sociedade.

Sua próxima pergunta pode se tornar uma pesquisa

Para quem deseja participar de um grupo de pesquisa da Católica SC, o primeiro passo pode ser uma conversa com os professores do curso sobre temas de interesse e projetos em andamento.

Os editais de iniciação científica informam os requisitos e os prazos para concorrer a bolsas. Também é possível participar como voluntário, conforme as condições de cada projeto.

Para conhecer as atividades de extensão, procure os professores ou a coordenação do seu curso.

Conheça o Programa de Pesquisa (PROPES) e saiba como participar das atividades de iniciação científica da Católica SC.